quinta-feira, 6 de agosto de 2009

A tal da qualidade de vida...



A prefeitura de São Paulo se gaba de ter vencido a primeira batalha contra a poluição visual da cidade. Não vale aqui entrar no mérito da questão, mesmo porque, o fato de ter despido a metrópole dos letreiros luminosos e cartazes indesejados – para a prefeitura – revelou uma outra sujeira camuflada, consequentemente, um problema ainda maior: o péssimo estado de conversação dos prédios e estabelecimentos comerciais. Outrora multicoloridos, os inquietos néons e os soberbos frontlights escondiam, animavam e enfeitavam as noites da cinzenta Sampa. Fazer o quê...
As ações não páram por aí. Os grafiteiros – não confundir com os pichadores, aqueles que sujam paredes e fachadas e contribuem para emporcar ainda mais nossa cidade – estão também na mira dos fiscais do prefeito Kassab. A ordem do dia é passar uma demão na cor branca para qualquer manifestação artística. Deu até na Veja SP. A prefeitura nega a hostilização, os artistas urbanos confirmam a perseguição, ficando, portanto, estabelecido um novo impasse. Fazer o quê...
Por outro lado, qualquer cidadão paulistano que se preza e tem carinho por sua cidade, sabe enumerar “n” prioridades de emergência para ajudar a melhorar a qualidade de vida em São Paulo. Vox Populi sabe das coisas. Acima de coibir sinalizações e perseguir os artistas urbanos, há de se pensar numa questão tão agravante quanto: a ausência de uma ação mais eficiente na coleta dos lixos da cidade. Eles se acumulam nas esquinas daquela considerada a terceira maior metrópole do planeta, à mercê da boa sorte de que, a qualquer momento, alguém vai passar por lá. Enquanto o recolhimento não acontece, sofrem a ação dos predadores que contribuem ainda mais para estabelecer o caos urbano. Fazer o quê...
Dos inconvenientes supra citados – poluição visual, pichação urbana e coleta de lixo – elejo o terceiro entre os mais problemáticos. Uma cidade limpa é sinônimo de bem-estar social e não atrapalha ninguém. Estou considerando, pelo menos, a região central da cidade, sem chegar até a periferia, onde o descaso é ainda maior.

Luiz França


Nenhum comentário: