quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Delícias Orgânicas

O restaurante do Clube Chocolate, instalado no Shopping Iguatemi, em São Paulo, é considerado o primeiro a funcionar com o certificado expedido pelo IBD - Instituto Biodinâmico

Um conceito de vida vem ganhando força no Brasil. Trata-se do biodinâmico, uma versão moderna e alternativa de alimentação que busca um estilo de vida responsável e sustentável, sem agredir a natureza. Na capital paulista, os adeptos da nova filosofia alimentar têm endereço certo no Clube Chocolate Orgânico, restaurante inaugurado na loja homônima instalada no Shopping Iguatemi, que traz em seu cardápio e em seu modus operandi todos os princípios da saudável alimentação biodinâmica. Em outras palavras, tudo o que é servido no local é elaborado a partir de produtos orgânicos, sem nenhum tipo de aditivos químicos. Mais do que isso: na cozinha, da lavagem dos vegetais aos utensílios de preparação, tudo obedece às rigorosas normas do Instituto Biodinâmico. Até os uniformes dos atendentes e cozinheiros foram confeccionados a partir de algodão orgânico, assim como as fibras de garrafas PET recicladas. O IBD – Instituto Biodinâmico é uma empresa brasileira sem fins lucrativos, que desenvolve atividades de inspeção e certificação agropecuária, de processamento e de produtos extrativistas, orgânicos e biodinâmicos. O restaurante do Clube Chocolate é considerado o primeiro a funcionar com o certificado expedido pela entidade.
Bonito, charmoso e frequentado por pessoas politicamente corretas, O Clube Chocolate Orgânico foi feito para quem acredita no princípio “somos aquilo que comemos”. De fato, se os alimentos são o nosso combustível, nossa saúde e nosso bem-estar dependem da qualidade da comida que ingerimos. Segundo especialistas, um produto biodinâmico é mais do que um produto sem agrotóxicos e sem aditivos químicos. É o resultado de um sistema de produção agrícola que busca manejar de forma equilibrada o solo e os recursos naturais relacionados, como água, plantas, animais e insetos, entre outros. A agricultura biodinâmica busca manter a harmonia desses elementos entre si e com os seres humanos.
A produção orgânica obedece normas rígidas de certificação, que exigem cuidados elementares com a conservação e preservação de recursos naturais e condições adequadas de trabalho para os agricultores. “Nosso compromisso com a agricultura orgânica vai além dos nossos ingredientes – livres de quaisquer produtos químicos ou artificiais. Todos os processos de preparação dos alimentos do Clube Chocolate Orgânico também respeitam as normas estabelecidas pelo IBD, desde a lavagem das folhas, frutas e legumes até o material de que são feitos nossos utensílios. Os uniformes dos nossos atendentes também são especiais: foram feitos de algodão orgânico”, comenta Ricardo Zaroni, diretor da Clube Chocolate.

Luiz França

Você sabe o que é Aquecimento Global?

Em curtas palavras, é o seguinte: Trata-se de um aumento significativo da temperatura média da Terra em período relativamente curto, em razão da atividade humana. Exageros à parte, convém repensar no assunto: só no século passado, nosso planeta esquentou mais do que devia – de 0.4º para o.8º C –, reagindo de forma significativa até mesmo para quem faz vista grossa para a questão.


O termo Aquecimento Global passou a ser usado por muita gente, mesmo por quem não entende absolutamente o que ele significa. As indagações são sempre freqüentes: O inverno foi quente? Culpa do aquecimento global. Caiu mais a tempestade? É o aquecimento global. O calor está de rachar? Aquecimento global. Mas o que é o aquecimento global? É um aumento significativo da temperatura média da Terra em período relativamente curto, em razão da atividade humana. Uma elevação da temperatura do planeta de 1° Celsius ou mais ao longo de 100 ou 200 anos caracteriza o aquecimento global. Aumento de 0,4° C num século já é algo considerável. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas avalia que, ao longo do século passado, a temperatura média da superfície da Terra tenha subido de 0,4° C a 0,8° C.
É importante entender que mesmo pequenas alterações no clima podem ter efeitos maiores. Quando os cientistas falam sobre “a era glacial”, é provável que se visualize o mundo congelado, coberto de gelo e sofrendo com temperaturas rígidas. Na verdade, durante a era glacial (eras glaciais acontecem aproximadamente a cada 50 mil ou 100 mil anos), a temperatura média da Terra era apenas 5° C mais baixa do que as médias atuais de temperatura. Aquecimento global é um aumento significativo na temperatura climática da Terra ao longo de um período relativamente curto de tempo e resultado da atividade humana, já dito.

Saber Nunca é Demais

O aquecimento global é causado pelo aumento do efeito estufa. Ele sozinho não é ruim, já que permite que a Terra fique aquecida o suficiente para que a vida continue. Pode-se pensar no planeta como se ele fosse um carro parado no estacionamento em um dia de sol. Alguém já deve ter percebido que o carro fica sempre muito mais quente por dentro do que por fora se ficar parado lá por um tempo. Os raios do sol entram pelas janelas do carro. Uma parte do calor do sol é absorvida pelos assentos, painel, carpete e tapetes. Quando estes objetos liberam o calor, ele não sai pelas janelas por completo. Uma parte é refletida de volta para o interior do carro. O calor irradiado pelos assentos é de um comprimento de onda diferente da luz do sol que entrou pelas janelas. Então, uma quantidade de energia entra e menos quantidade de energia sai. O resultado é um aumento gradual na temperatura interna do carro.
Quando os raios de sol chegam à atmosfera e à superfície da Terra, aproximadamente 70% da energia ficam no planeta, absorvida pela terra, pelos oceanos, pelas plantas e outros. Os 30% restantes são refletidos no espaço pelas nuvens, campos nevados e outras superfícies reflexivas. Mas mesmo os 70% que passam não ficam na Terra para sempre. Caso positivo, ela se tornaria uma bola de fogo flamejante. As coisas em torno do planeta que absorvem o calor do sol eventualmente irradiam este calor. Um pouco vai para o espaço e o resto acaba sendo refletido para a Terra ao atingir certas coisas que ficam na atmosfera, tais como dióxido de carbono, gás metano e vapor de água. O calor que não sai pela atmosfera terrestre mantém o planeta mais quente do que o espaço sideral, porque mais energia está entrando pela atmosfera do que saindo. Isso tudo faz parte do efeito estufa que mantém a Terra quente.

Sem o efeito estufa

Como seria a Terra se não houvesse o efeito estufa? Provavelmente ela se pareceria bastante como o planeta Marte, que não tem uma atmosfera grossa o suficiente para refletir o calor para o planeta, então acaba ficando tudo muito frio. Alguns cientistas sugeriram enviar para Marte engenhocas que exalariam vapor de água e dióxido de carbono no ar. Se pudéssemos gerar material suficiente, a atmosfera começaria a engrossar a ponto de reter mais calor e permitir a sobrevivência das plantas na superfície. Depois que as plantas se espalhassem por Marte, elas passariam a produzir oxigênio. Depois de algumas centenas ou milhares de anos, Marte poderia realmente vir a ter um meio ambiente em que os humanos pudessem sobreviver graças ao efeito estufa.
Infelizmente, desde a Revolução Industrial, as pessoas aqui na Terra têm lançado enormes quantidades de substâncias no ar. Dióxido de carbono (CO2) é um gás incolor, subproduto da combustão da matéria orgânica. Ele ocupa menos de 0,04% da atmosfera da Terra – a maior parte foi colocada desde muito cedo na vida do planeta pela atividade vulcânica. Hoje, a atividade humana bombeia enormes quantidades de CO2 na atmosfera, resultando em aumento total nas concentrações de dióxido de carbono. Estas concentrações aumentadas são consideradas o fator primário no aquecimento global, porque o dióxido de carbono absorve radiação infravermelha. A maior parte da energia que escapa da atmosfera da Terra vem nesta forma, então o CO2 em dose extra significa maior absorção de energia e um aumento total na temperatura do planeta.
O Worldwatch Institute relata que as emissões de carbono em todo o mundo aumentaram de cerca de um bilhão de toneladas em 1900 para cerca de sete bilhões de toneladas em 1995. O Instituto também aponta que a temperatura média da superfície da Terra subiu de 14.5° C, em 1860, para 15.3° C, em 1980. O óxido Nitroso (NO2) é outro importante gás estufa. Embora as quantidades liberadas pela atividade humana não sejam tão grandes quanto as do CO2, o óxido nitroso absorve muito mais energia do que CO2 (cerca de duzentas e setenta vezes mais). Por este motivo, os esforços para diminuírem as emissões de gás estufa têm sido direcionados para o NO2 também. O uso de muito fertilizante de nitrogênio nas colheitas libera grandes quantidades de óxido nitroso e ele também é um subproduto da combustão. Metano é um gás combustível e o principal componente do gás natural. O metano ocorre naturalmente através da decomposição de material orgânico e é freqüentemente encontrado na forma de “gás de pântano”. Processos realizados pelo homem produzem o metano de várias formas: com sua extração do carvão a partir de grandes rebanhos de gado (por exemplo, gases digestivos) a partir da bactéria nas cascas do arroz com a decomposição do lixo em aterros. O metano age de forma semelhante à do dióxido de carbono na atmosfera, absorvendo energia infravermelha e mantendo a energia do calor na Terra. Alguns cientistas até especulam que a emissão do metano em larga escala para a atmosfera (como a liberação de grandes pedaços de gelo metano presos no fundo dos oceanos) poderia ter criado curtos períodos de intenso aquecimento global que levaram a algumas das extinções em massa no passado distante do planeta.

Alterações do nível do mar

Vimos que uma queda média de apenas 5° C ao longo de milhares de anos pode causar uma era glacial; então o que irá acontecer se a temperatura média da Terra aumentar alguns graus em apenas umas centenas de anos? Não há uma resposta clara. Nem mesmo as previsões do tempo a curto prazo são perfeitas, porque o tempo é um fenômeno complexo. Quando se trata de previsões climáticas a longo prazo, tudo o que podemos conseguir são adivinhações baseadas em nosso conhecimento dos padrões climáticos ao longo da história.
Geleiras e placas de gelo ao redor do mundo podem começar a derreter. De fato, isto já está acontecendo. A perda de grandes áreas de gelo na superfície pode acelerar o aquecimento global, porque menos energia solar será refletida para longe da Terra. O resultado imediato do derretimento das geleiras seria o aumento do nível do mar. Inicialmente, seriam apenas 2,5 ou 5 cm – no entanto, se a placa de gelo da Antártida Ocidental derretesse e caísse sobre o mar, ela elevaria o seu nível em mais de 304 metros e muitas áreas costeiras iriam desaparecer completamente sob o oceano. O nível do mar também se elevaria porque as águas do oceano ficariam mais quentes, causando a expansão da água. Mesmo um modesto aumento no nível do mar causaria problemas de enchente em áreas costeiras baixas. O Brasil não está entre os 50 países mais ameaçados pela elevação do nível do mar. Com o aumento da temperatura global das águas, tempestades formadas no oceano tais como tempestades tropicais e furacões, que extraem sua energia feroz e destrutiva das águas mornas pelas quais passam, seriam maiores em número e força.

Estações e ecossistema

Em áreas temperadas com quatro estações, a estação de plantio e germinação seria mais longa e com maior incidência de chuvas. Isto seria benéfico de muitas formas para estas áreas. No entanto, partes menos temperadas do mundo provavelmente veriam um aumento de temperatura e uma diminuição brutal no índice de chuvas, causando longos períodos de seca e criação de desertos. Os efeitos mais devastadores – e também os mais difíceis de ser previstos – seriam os efeitos nos ecossistemas vivos. Muitos ecossistemas são delicados e a mais sutil mudança pode matar várias espécies, assim como quaisquer outras que delas dependam.
A maioria dos ecossistemas são interconectados, então a reação em cadeia dos efeitos seria imensurável. Os resultados poderiam ser como uma floresta morrendo gradualmente e se transformando em áreas de pasto ou recifes de corais se extinguindo. Muitas espécies de plantas e de animais se adaptariam ou mudariam com a alteração do clima, mas muitas se extinguiriam. A Amazônia pode perder, por culpa do aquecimento global, de 10% a 25% de sua área florestal, substituída por uma espécie de savana.

O aquecimento global é um problema real?

Algumas pessoas acham que o aquecimento global não está acontecendo. Há vários motivos para isto: muitos acham que os dados mostram uma tendência ascendente mensurável nas temperaturas globais, mesmo porque não temos dados históricos sobre o clima a prazos longos suficientes ou porque os dados que temos não são suficientemente claros; outros cientistas acham que os dados estão sendo interpretados erroneamente por pessoas que já estão preocupadas com o aquecimento global. Isto acontece porque estas pessoas estão buscando evidências do aquecimento global nas estatísticas, em vez de olharem as evidências com objetividade, tentando descobrir seu significado; qualquer aumento nas temperaturas globais que estivermos vendo poderia ser uma mudança natural de clima ou poderia ocorrer devido a outros fatores além dos gases estufa. Entretanto, a maioria dos cientistas diz que o aquecimento global é real e que é provável que cause algum dano, mas a extensão do problema e o perigo apresentado pelos efeitos são bastante abertos ao debate. Que cada um se convença de suas próprias convicções.

SALVEM O PLANETA TERRA

Uma notícia divulgada recentemente pelo jornal britânico The Guardian ventilou a suposta informação de que o American Enterprise Institute (AEI), um centro de estudos conservador financiado pela ExxonMobi, considerada uma das maiores empresas petrolíferas do mundo, ofereceu 10 mil dólares a cientistas e economistas para que questionem, por escrito, a veracidade do relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Pasmem! Segundo o jornal, o grupo ofereceu dinheiro aos autores dos artigos para que apontem os erros do relatório, que alerta para um aumento significativo da temperatura global de entre 2 e 4,5ºC até o final do século. Para muitos, tal iniciativa “trata-se de uma tentativa desesperada de uma organização que pretende confundir as provas científicas em benefício de seus objetivos políticos”. De fato, não é de hoje que os interesses particulares assumem a liderança na corrida em favor da hegemonia internacional. O que não se discute abertamente, entretanto, é uma verdade muito mais grave: caso a degradação ambiental continue sem limites, não sobrará para mais ninguém. Ganhasse hoje, perdesse no futuro. Mesmo assim, otário e cego por não querer enxergar um palmo à frente do seu nariz, um ex-cientista de uma organização financiada pela própria Exxon, vai publicar brevemente em Londres um estudo que subjuga o relatório governamental. Ele nega que a atividade humana tenha algo a ver com a mudança climática. Parece piada!. Todos nós sabemos que os maiores acidentes ambientais têm causa certa o homem com sua irresponsabilidade social. Diz o relatório do IPCC que existem aproximadamente 90% de probabilidades de que o aquecimento do planeta ocorra principalmente devido à ação humana. Polêmicas à parte, a Revista ecoFênix surge oportunamente para clarear a idéia e conduzir o raciocínio dos desavisados e ausentes dos problemas ambientais no mundo todo. A palavra chave é conscientização. No lugar de hastear a bandeira de protesto e reivindicações em prol das causas que almejam uma melhor qualidade de vida, vamos mostrar o quanto nosso planeta é belo e generoso, a fim de propagar uma campanha de consciência coletiva de preservação do meio ambiente. Onde o leitor encontrar o selo Se Liga Nesta Causa, pode estar certo de que sua aderência estará contribuindo para um mundo melhor. Só assim nosso legado, por mais modesto que seja, valerá a pena para as futuras gerações.

Luiz França

A tal da qualidade de vida...



A prefeitura de São Paulo se gaba de ter vencido a primeira batalha contra a poluição visual da cidade. Não vale aqui entrar no mérito da questão, mesmo porque, o fato de ter despido a metrópole dos letreiros luminosos e cartazes indesejados – para a prefeitura – revelou uma outra sujeira camuflada, consequentemente, um problema ainda maior: o péssimo estado de conversação dos prédios e estabelecimentos comerciais. Outrora multicoloridos, os inquietos néons e os soberbos frontlights escondiam, animavam e enfeitavam as noites da cinzenta Sampa. Fazer o quê...
As ações não páram por aí. Os grafiteiros – não confundir com os pichadores, aqueles que sujam paredes e fachadas e contribuem para emporcar ainda mais nossa cidade – estão também na mira dos fiscais do prefeito Kassab. A ordem do dia é passar uma demão na cor branca para qualquer manifestação artística. Deu até na Veja SP. A prefeitura nega a hostilização, os artistas urbanos confirmam a perseguição, ficando, portanto, estabelecido um novo impasse. Fazer o quê...
Por outro lado, qualquer cidadão paulistano que se preza e tem carinho por sua cidade, sabe enumerar “n” prioridades de emergência para ajudar a melhorar a qualidade de vida em São Paulo. Vox Populi sabe das coisas. Acima de coibir sinalizações e perseguir os artistas urbanos, há de se pensar numa questão tão agravante quanto: a ausência de uma ação mais eficiente na coleta dos lixos da cidade. Eles se acumulam nas esquinas daquela considerada a terceira maior metrópole do planeta, à mercê da boa sorte de que, a qualquer momento, alguém vai passar por lá. Enquanto o recolhimento não acontece, sofrem a ação dos predadores que contribuem ainda mais para estabelecer o caos urbano. Fazer o quê...
Dos inconvenientes supra citados – poluição visual, pichação urbana e coleta de lixo – elejo o terceiro entre os mais problemáticos. Uma cidade limpa é sinônimo de bem-estar social e não atrapalha ninguém. Estou considerando, pelo menos, a região central da cidade, sem chegar até a periferia, onde o descaso é ainda maior.

Luiz França


Capa Ecofênix

quarta-feira, 20 de junho de 2007